Por que participar do comitê?!

Acordar, tomar café, se arrumar pro trabalho ou estudos na expectativa de que o dia seja produtivo e promissor, que as horas passem bem passadas, que você receba um obrigado, um boa tarde ou bom dia ao invés de um empurrão, de um “sai pra lá”, dedos te apontando, ou apenas o medo de sair de casa na expectativa de ser preso ou torturado por não fazer nada de errado, ou por se expressar sendo quem você é. Que imagem que vem à sua cabeça? Por que, quem quer que seja, teria que conviver com “dedos apontados”? Pelo seu jeito de vestir? Pela sua cor de pele? Pelo seu gênero? Pelos seus costumes? E pela sua religião? A forma de pensarmos sobre minorias no país em que vivemos nos rementem a apenas algumas delas devido ao passado obscuro de segregação para grupos específicos, infelizmente. Sendo assim, minorias religiosas nem sempre estão no topo de uma discussão que aborde os direitos de grupos minoritários hoje em dia em rodas de amigos, em praças públicas ou em sala de aula, pois sempre aprendemos que “de religião não se fala” quando na verdade essa minoria se torna cada vez menor em vários lugares.

Felizmente, o nosso “país tropical, abençoado por Deus” possui uma vasta diversidade religiosa devido à junção de povos africanos, europeus e indígenas de anos remotos dessa terra cheia de riquezas, quando a mistura de crenças originaram novas formas de culto típicas do Brasil. Por exemplo, a Umbanda é uma mistura de crenças espíritas, católicas, indígenas e de vários cultos afro-brasileiros que surgiram no Brasil devido o contato de diferentes povos que contribuíram para a formação cultural e religiosa do país. Entretanto, certo preconceito e perseguição ainda são presentes para certas crenças, mesmo que sutilmente. Difícil é pensar que existem países que abominam completamente certas religiões e perseguem aqueles que não professam a mesma fé que a maioria da população e por isso são sentenciados à morte. É nesse âmbito que o tema a liberdade religiosa e os seus limites deve ser colocado em pauta, para evitar que pessoas sejam aniquiladas com um olhar ou com uma corda pelo simples fato de não se expressarem religiosamente assim como a maioria.

Um país é construído durante séculos, em meio a guerras, perdas, espadas antigamente e armas de destruição em massa atualmente. Conquistando ou sendo conquistados, os países sempre estiveram envolvidos em constantes mudanças em diversos sentidos, político, religioso, econômico, cultural, entre outros que juntos formam diferentes sociedades. Apesar destas variações, padrões podem ser observados. É como um técnico de futebol quando é contratado para um time novo: ele pode mexer uma peça ali ou aqui durante um período de tempo, mas um padrão de jogo é criado e certas peças não se alteram a longo prazo, e a titularidade de alguns jogadores é essencial para a manutenção desse padrão. Bom, para alguns países, a religião é aquele atacante de área camisa 9 titular absoluto, que fica acima de um bom meio campo político ou uma defesa econômica consistente, desencadeando uma série de acontecimentos que passam a fazer parte das raízes culturais de um povo. Se observarmos países do Oriente Médio participantes desse comitê, veremos que são compostos, em sua maioria, por mulçumanos, sendo que em alguns locais a porcentagem de adeptos desta religião chega a 90% da população, ou mais. Por outro lado, sabemos da forte influência cristã que os EUA receberam desde a sua formação a partir dos ingleses, e isso também repercute na quantidade de adeptos dessa religião no país. Ainda, a Índia é o país com maior concentração de hinduístas e Israel tem a maior concentração de judeus no mundo. Fatos como esses se concretizaram ao longo do tempo, e a forma como uma nova religião no país é aceita irá variar dada a importância que, tanto governo, quanto população dão ao fenômeno religioso.

Isto posto, qual o propósito desse comitê?

Bem, visando alternativas que mudam essa visão de “um país, uma religião” e ações extremas sobre o assunto, esse comitê reconhece que o diálogo entre 54 representantes de Estados é essencial para o progresso que reforce e amplie o direito de liberdade religiosa garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) em seu artigo 18°, que diz que “toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião”. Para isso, o Conselho de Direitos Humanos (CDH) é o órgão ideal dentro da Organização das Nações Unidas (ONU) para este debate, pois é um órgão que visa reforçar a promoção e proteção dos direitos humanos a nível global, também classificando situações que violam esses direitos e fazendo recomendações quanto à estes casos. Dessa forma, quem sabe, mais pessoas recebam seu isento bom dia e não sejam apontadas, entre outras coisas, pela religião que professa? Quem sabe elas não vivam sem medo de serem mortas ao irem ao mercado ou ao trabalho, quem sabe deixem de sofrer preconceito ou serem torturadas por seus próprios vizinhos, governantes ou profetas de algum “deus” vingativo e mal humorado?

A mesa diretora está trabalhando desde o começo do ano para que progressos sobre o tema sejam feitos durante os dias do MINIONU, e isso depende da nossa determinação e a de vocês também, senhores delegados. Para que vocês sempre estejam atualizados e preparados para os dias do evento, fiquem sempre atentos a novas publicações no blog, na nossa página do Facebook e não hesitem em nos contactar pelo e-mail 17minionucdh2017@gmail.com.

 

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