Quantas religiões existem no mundo? Essa foi uma pergunta que me ocorreu em diversas vezes ao realizar as funções do MINIONU este ano. E, mesmo pesquisando, a resposta exata é uma lacuna ainda, pois é quase impossível ter uma precisão absoluta. Até onde eu consegui chegar, estima-se que existam mais de 10 mil religiões no mundo. O problema de tomar esses dados como verdade absoluta está num erro comum em confundir religião com segmentações de uma religião; ou seja, o Cristianismo é uma religião, já o catolicismo e o protestantismo são fragmentações internas dessa religião.

Seja como for, é notável que existam inúmeras religiões com uma concepção e ideologia que se distinguem bastante entre si. Há religiões como o Judaísmo, o Budismo, Hinduísmo, a Cientologia, o Islamismo, entre outras, que são bastante interessantes e diferentes umas das outras. O que nos faz pensar e reafirmar a importância da aceitação para com a fé do outro, visto que não se deve julgar o outro indivíduo com sua concepção de mundo, até porque é preciso entender que nenhuma religião tem a verdade de forma integral e que as concepções de mundo divergem entre si.

Eu usei o termo aceitar no lugar de tolerar, pois há uma enorme diferença entre os termos. A tolerância quer dizer que as duas religiões apenas coexistem, ao contrário de aceitar, que é afirmar a existência da outra e não a ignorá-la e tratá-la como inferior, e sim reconhecendo que a outra religião também é válida e enxergando que ela tem algo para oferecer e acrescentar. Nós, por exemplo, vivemos num país que tem amplamente uma cultura voltada a religião cristã, e é bastante comum depararmo-nos com pessoas que julgam religiões como a islâmica, fadando-os de terroristas erroneamente. Muitas das vezes este preconceito existe por falta de conhecimento sobre a outra religião e por um julgamento dotado de valores ocidentais perante a uma religião que surgiu num contexto oriental.

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Isto me faz pensar no fato de que a religião é, também, um traço cultural de determinada região ou povo. Com isso, perceberíamos que uma pessoa que nasce no Brasil, por exemplo, tem grandes chances de se tornar cristã, assim como uma pessoa que nasce na Índia tem mais chance de se tornar hindu. Claro, chance e não certeza, até porque o mundo tem ficado cada vez menor e mais conectado, o que afeta a demografia religiosa dos países, assim como diverge e varia o número de adeptos a religiões diversas cada vez mais em um só local.
Conforme já é dito pelo autor Richard Dawkins (2006), nenhuma criança nasce cristã, por exemplo, e sim é filha de pais cristãos. O autor defende que as crianças não deveriam ser rotuladas de acordo com a religião de seus pais. Entender isso é importante para enxergar que a religião de uma pessoa está vinculada a diversos fatores sociais, culturais e inserida num contexto histórico especifico. O que dá um ponta pé para entender que nenhum destes fatores deve torna-se superior às experiências que levaram outra pessoa a seguir uma religião diferente, ou seja, a decisão individual de fé em uma religião permanece por mais que fatores culturais locais o pressionem a fazer uma escolha as vezes indesejada.

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(“Terrorismo não tem religião”)

Cabe ressaltar aqui que terrorismo não é uma religião, muito pelo contrário. O terrorismo é o uso de violência para pregar o terror, o medo, o pavor contra determinado grupo. Na verdade, o que geralmente é associado com a religião é o conceito de extremismo, que é uma forma de pensamento mais voltada ao radicalismo, ou o exagero. E é fato que todo extremismo religioso deve ser evitado, já que este conceito não está ligado apenas à religião islâmica, visto que existem grupos extremistas de diversas outras religiões. No cristianismo, por exemplo, existe o LRA, The Lord’s Resistance Army (Exército de Resistência do Senhor), que é um culto e grupo extremista africano. Atualmente, na clandestinidade, é liderado por Joseph Kony, que por meio do cristianismo apocalíptico acredita ser o porta-voz de Deus e realizam diversos atos contra os Direitos Humanos, como assassinato, mutilação, escravidão sexual e o grupo também força crianças a praticarem hostilidades.

Isto posto, percebi que existem infinitas religiões e fiquei pensando o quão difícil poderia ser para poder englobar cada grupo no conceito de religião. Desde modo, descobri que, segundo Anthony Guiddens (2005), para definir o que é religião não podemos tomar apenas características de uma religião em especifico, como por exemplo, o Cristianismo. Logo, não se deve entender que todas as religiões estão ligadas a, necessariamente, um deus monoteísta – ou seja, na crença de apenas uma divindade, e sim evitar a comparação para entender o que é ou não uma religião.

Além disso, há religiões que não estão preocupadas em delimitar preceitos morais, existem religiões nas quais os deuses não estão preocupados em ditar o comportamento social, assim como nem todas as religiões estão preocupadas em definir o mito da criação do mundo. Contudo, há também religiões que não apontam a busca por seres espirituais, como deuses, espíritos e demônios, e sim a harmonia do ser humano com a natureza por exemplo. Como é o caso da religião Xintoísta, na qual baseia-se na relação do homem com a natureza, onde as divindades cultuadas são forças ou espíritos sagrados que estão presentes em todo o universo, como pedras, animais ou rios.

Apesar das diversidades e particularidades aqui ditas, as religiões, até onde se sabe, carregam traços comuns, como a realização de rituais dos mais diversos possíveis e conjuntos de símbolos que são seguidos e amparados por grupos de fieis que se identificam com a religião. A função do todos os indivíduos, que partilham de uma religião ou não, é compreender que se deve primeiramente o respeito a qualquer ser humano pelo simples fato do outrem ter os mesmos direitos que você, já que somos todos iguais ou assim deveríamos ser vistos. Isto feito, a função de cada um é de respeitar as diversas religiões e os seus adeptos, percebendo que a religião não deve ser vista como um fator de desintegração social, mas sim como um meio de pregar valores humanos que defendam por si só à liberdade religiosa e entendendo os próprios limites.

 

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