Por: Marcos Toledo

O nosso comitê traz os debates sobre a liberdade religiosa e os seus limites. Sendo assim, comecei a pensar em vários grupos e indivíduos que usaram da religião para propagar seus preconceitos, ou, até mesmo, para manipular pessoas e causar transtorno na sociedade, visto que isto é o oposto do que é religião, pois prega opiniões particulares e, até mesmo, discursos de ódio. Lembrando também da linha tênue que há entre liberdade de expressão e a religiosa.

Há uma enorme quantidade de exemplos que vivenciamos no nosso dia-a-dia com viés religioso por trás e que são amostras de como um fanatismo religioso pode ser usado como ferramenta para tentar-se justificar uma agressão ou um preconceito. Como por exemplo, diversas vezes nos deparamos com notícias de casais homossexuais que foram espancados (por ser visto como pecado por muitos religiosos cristãos), ataques às igrejas em comunidades minoritárias – como ataques à comunidade negras e judaicas – em determinadas áreas por seguidores de religião diferentes, ou, até mesmo, ataques as pessoas onde pai e filho foram espancados por manifestarem afeto, apenas por acreditar que estes eram homossexuais. Outro exemplo importante de fanatismo religioso são algumas seitas que pregam discursos manipuladores e conduzem os fiéis a cometerem atos que não o fariam normalmente.

Antes de prosseguir, cabe lembrar que seitas são grupos que professam doutrina, ideologia, sistema filosófico ou político divergentes da correspondente doutrina ou sistema dominantes, para não haver confusões entre os conceitos de religião, por exemplo, pois nem toda seita tem um caráter religioso. Também é importante relembrar que a religião deve ser percebida como meio de pregar valores humanos que respeitem a todos e que não devem ser justificativas de qualquer ato de violência.

Conforme já citado, o caso traz uma divergência de opiniões entre a liberdade de expressão e a religiosa, visto que é um ponto em que as duas liberdades entram em choque. Um dos cartunistas do jornal, Laurent Léger, contou para a revista The New Yorker: “Nosso objetivo é fazer rir. Queremos rir dos extremistas, sejam eles muçulmanos, judeus ou católicos. Todo mundo pode ser religioso, mas não podemos aceitar atos extremistas”, disse ele.

Há pessoas que apoiaram e criticaram a atitude do jornal. Entre autoridades que condenaram a edição, o advogado Peter Herbert, diretor da Sociedade de Advogados Negros do Reino Unido, afirmou que “O jornal é uma publicação racista, xenofóbica e ideologicamente falida que representa o decaimento moral da França”.

Portanto, entre essa dualidade de pensamento, cabe lembrar a importância de ressaltar os limites, pois assim como a liberdade religiosa deve haver seus limites, no humor também o deve, para que, inclusive, ambos não entrem em conflito entre si e se anulem, já que o humor pode estar carregado de preconceitos e servir como uma forma de propagar o ódio. Ressaltando que ao usar o termo liberdade religiosa estou me referindo, também, a intolerância religiosa, pois o indivíduo pode usar da sua liberdade como justificativa de preconceitos, hostilidades e atos agressivos.

Posto isso, percebemos que a todos os direitos há limites, mesmo os direitos fundamentais como os de liberdade religiosa e de expressão. Alguns limites mais comuns – como a proibição de caluniar, difamar e injuriar – e outros como o próprio crime de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.

Logo, o que deve estar em mente ao analisar o caso de Charlie Hebdo e o da seita Heaven’s Gate é se não houve uma extrapolação desses limites ao fazer humor com algo que serve como fonte de valores mais caro pelos fiéis; assim como questionar o ataque a um grupo de pessoas por estas não seguirem sua fé ou por fazerem critica a ela. Será a religião algo tão intocável e dogmático que não deve ser questionada ou criticada? De fato, a religião não se encontra numa bolha na qual está imune dos julgamentos e críticas alheias. Desse modo, cabe sempre ressaltar que toda liberdade tem um teto e que as liberdades são de igual importância a outros direitos fundamentais, como o direito a vida e o direito a locomoção, por exemplo.

Além desses exemplos, ainda existem algumas seitas que são comandadas de formas lunáticas e malévolas que manipulam pessoas para fazer atos que elas mesmas não o fariam normalmente. Há casos famosos de seitas que manipulam seus seguidores para cometerem suicídio coletivo, como foi o caso da seita Heaven’s Gate (Porta do Paraíso) que ficou famosa pelo maior suicídio coletivo dos Estados Unidos, onde morreram 39 pessoas – incluindo o líder da seita, Marshall Applewhite, que acreditava ser a reencarnação de Jesus Cristo.

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Segundo a mensagem deixada pelos membros da seita, todos tinham partido para uma nave espacial próxima ao cometa Hale-Bopp, visível aos terráqueos somente a cada 4.200 anos. Os corpos dos 18 homens e 21 mulheres foram encontrados na mansão do grupo, e que tinham idade entre 26 e 72 anos. Documentos revelaram que os mortos vieram de vários lugares dos EUA e que a maioria tinha formação universitária, o que deixa evidente o quão manipulador a seita era.  Os exames indicaram que as mortes foram provocadas pela ingestão de uma mistura de álcool com remédios, e que os coquetéis foram ingeridos ao longo da semana e em turnos.

Todos os suicidas estavam vestidos de preto e cobertos de um véu triangular roxo, assim como compartilhavam do mesmo corte de cabelo – tipo escovinha – e foram encontrados com malas de viagens arrumadas ao lado da cama e sem sinal de violência e com tarjas ao redor do braço que diziam “Equipe de Desembarque Heaven’s Gate”, o que nos faz perceber que todos eles realmente pensavam estar embarcando para uma nave espacial.

Outro caso interessante para discutir o debate sobre a liberdade religiosa e seus limites, juntamente com as discussões sobre a liberdade de expressão, é o caso das charges de Charlie Hebdo, que virou ícone da defesa à liberdade de expressão, que foi um atentado terrorista contra os cartunistas do jornal satírico Charlie Hebdo, matando doze pessoas e deixando cinco feridas gravemente.

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Conforme já citado, o caso traz uma divergência de opiniões entre a liberdade de expressão e a religiosa, visto que é um ponto em que as duas liberdades entram em choque. Um dos cartunistas do jornal, Laurent Léger, contou para a revista The New Yorker: “Nosso objetivo é fazer rir. Queremos rir dos extremistas, sejam eles muçulmanos, judeus ou católicos. Todo mundo pode ser religioso, mas não podemos aceitar atos extremistas”, disse ele.

Há pessoas que apoiaram e criticaram a atitude do jornal. Entre autoridades que condenaram a edição, o advogado Peter Herbert, diretor da Sociedade de Advogados Negros do Reino Unido, afirmou que “O jornal é uma publicação racista, xenofóbica e ideologicamente falida que representa o decaimento moral da França”.

Portanto, entre essa dualidade de pensamento, cabe lembrar a importância de ressaltar os limites, pois assim como a liberdade religiosa deve haver seus limites, no humor também o deve, para que, inclusive, ambos não entrem em conflito entre si e se anulem, já que o humor pode estar carregado de preconceitos e servir como uma forma de propagar o ódio. Ressaltando que ao usar o termo liberdade religiosa estou me referindo, também, a intolerância religiosa, pois o indivíduo pode usar da sua liberdade como justificativa de preconceitos, hostilidades e atos agressivos.

Posto isso, percebemos que a todos os direitos há limites, mesmo os direitos fundamentais como os de liberdade religiosa e de expressão. Alguns limites mais comuns – como a proibição de caluniar, difamar e injuriar – e outros como o próprio crime de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.

Logo, o que deve estar em mente ao analisar o caso de Charlie Hebdo e o da seita Heaven’s Gate é se não houve uma extrapolação desses limites ao fazer humor com algo que serve como fonte de valores mais caro pelos fiéis; assim como questionar o ataque a um grupo de pessoas por estas não seguirem sua fé ou por fazerem critica a ela. Será a religião algo tão intocável e dogmático que não deve ser questionada ou criticada? De fato, a religião não se encontra numa bolha na qual está imune dos julgamentos e críticas alheias. Desse modo, cabe sempre ressaltar que toda liberdade tem um teto e que as liberdades são de igual importância a outros direitos fundamentais, como o direito a vida e o direito a locomoção, por exemplo.

Conforme já citado, o caso traz uma divergência de opiniões entre a liberdade de expressão e a religiosa, visto que é um ponto em que as duas liberdades entram em choque. Um dos cartunistas do jornal, Laurent Léger, contou para a revista The New Yorker: “Nosso objetivo é fazer rir. Queremos rir dos extremistas, sejam eles muçulmanos, judeus ou católicos. Todo mundo pode ser religioso, mas não podemos aceitar atos extremistas”, disse ele.

Há pessoas que apoiaram e criticaram a atitude do jornal. Entre autoridades que condenaram a edição, o advogado Peter Herbert, diretor da Sociedade de Advogados Negros do Reino Unido, afirmou que “O jornal é uma publicação racista, xenofóbica e ideologicamente falida que representa o decaimento moral da França”.

Portanto, entre essa dualidade de pensamento, cabe lembrar a importância de ressaltar os limites, pois assim como a liberdade religiosa deve haver seus limites, no humor também o deve, para que, inclusive, ambos não entrem em conflito entre si e se anulem, já que o humor pode estar carregado de preconceitos e servir como uma forma de propagar o ódio. Ressaltando que ao usar o termo liberdade religiosa estou me referindo, também, a intolerância religiosa, pois o indivíduo pode usar da sua liberdade como justificativa de preconceitos, hostilidades e atos agressivos.

Posto isso, percebemos que a todos os direitos há limites, mesmo os direitos fundamentais como os de liberdade religiosa e de expressão. Alguns limites mais comuns – como a proibição de caluniar, difamar e injuriar – e outros como o próprio crime de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.

Logo, o que deve estar em mente ao analisar o caso de Charlie Hebdo e o da seita Heaven’s Gate é se não houve uma extrapolação desses limites ao fazer humor com algo que serve como fonte de valores mais caro pelos fiéis; assim como questionar o ataque a um grupo de pessoas por estas não seguirem sua fé ou por fazerem critica a ela. Será a religião algo tão intocável e dogmático que não deve ser questionada ou criticada? De fato, a religião não se encontra numa bolha na qual está imune dos julgamentos e críticas alheias. Desse modo, cabe sempre ressaltar que toda liberdade tem um teto e que as liberdades são de igual importância a outros direitos fundamentais, como o direito a vida e o direito a locomoção, por exemplo.

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